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Os territórios alvo de intervenção no projeto C2 Agenda 2030 Local (as regiões transfronteiriças de Pontevedra-Alto Minho, Cáceres-Beira Baixa e Huelva-Baixo Alentejo) partilham uma morfologia socioeconómica caracterizada pela dispersão e baixa densidade. Nestes territórios, 96% das autarquias contam com menos de 20.000 habitantes, e uma esmagadora maioria (quatro em cada cinco) não ultrapassa os 5.000 residentes. Esta realidade impõe uma restrição severa em termos de capacidade institucional: as pequenas autarquias carecem frequentemente de recursos técnicos, humanos e financeiros para recolher, processar e analisar os dados necessários a uma planificação estratégica alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O Observatório Transfronteiriço proposto no projeto C2 nasce, por conseguinte, com a vocação de colmatar esta lacuna de informação, atuando como um instrumento de inteligência territorial que democratize o acesso a dados de qualidade e facilite a tomada de decisões baseada em evidências.

A Universidade de Vigo está a implementar uma plataforma web que servirá como elemento de referência para este observatório. Encontra-se já em fase de testes.

O Observatório Transfronteiriço tem o potencial de se tornar uma peça relevante da infraestrutura institucional da fronteira hispano-portuguesa. Ao ultrapassar a visão tradicional dos observatórios como meros repositórios estatísticos e adotar uma abordagem de serviço, utilidade prática e transferência de conhecimento, este instrumento pode capacitar as pequenas autarquias rurais para deixarem de ser sujeitos passivos da desertificação e passarem a ser agentes ativos do desenvolvimento sustentável.